Ecoturismo, vida silvestre e etnoturismo são destaques em plano que busca atrair turistas internacionais para MT

Embratur, Sebrae e governo estadual apresentam diretrizes do Plano Brasis ao trade em Cuiabá e cobram integração para transformar potencial em venda.

(Foto: MTur / Montagem: Rede Sucuri)

A Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) apresentaram nesta quarta-feira (26.11), em Cuiabá, as diretrizes do Plano Brasis 2025–2027 para o trade turístico mato-grossense. O encontro, realizado em parceria com o governo estadual, buscou aproximar o estado das estratégias nacionais de promoção internacional e discutir como transformar em resultados concretos o que especialistas descrevem como “um dos maiores potenciais inexplorados do país”.

O foco do plano, e das falas que dominaram a tarde, recaiu sobre o Pantanal, a Chapada dos Guimarães e produtos ligados ao ecoturismo, à vida silvestre e ao etnoturismo. A ideia central é organizar a atuação do estado no exterior e alinhar ações públicas e privadas a um modelo baseado em dados, demanda real e segmentação de mercados.

A apresentação foi conduzida pelo gerente de Negócios e Estratégias para o Mercado Internacional da Embratur, Alexandre Nakagawa. Pelo Sebrae, participou o diretor técnico André Schelini, e pela Sedec, a secretária-adjunta de Turismo, Maria Letícia Costa, acompanhada da equipe de turismo, entre outros nomes.

(Foto: Embratur)

Nakagawa defendeu que o Plano Brasis representa uma inflexão na política de promoção turística. Segundo ele, o Brasil bateu recorde de visitantes internacionais neste ano, mas esse crescimento não se distribui igualmente entre os estados, especialmente entre aqueles sem conectividade aérea, inteligência comercial e alinhamento entre governo, trade e operadores.

O gerente reconheceu que o Pantanal vive um momento raro, com forte repercussão internacional, de listas de observação de aves a reportagens sobre turismo regenerativo, mas ainda esbarra na dificuldade de transformar visibilidade em vendas. Isso porque muitos roteiros continuam sendo operados por empresas de fora do estado, o que reduz o impacto econômico local.

Nakagawa insistiu que esse descompasso decorre da ausência de oferta estruturada e da fragmentação das ações: há municípios agindo isoladamente, hoteleiros investindo sem dados e operadores vendendo destinos sem comunicação com o restante da cadeia. O Plano Brasis, afirmou, tenta oferecer “uma bússola comum”.

Gargalo aéreo volta ao centro do debate

A questão aérea marcou a fala do secretário de Desenvolvimento Econômico, César Miranda, que tratou logisticamente o turismo como uma cadeia econômica, semelhante às que acompanha no agro, mineração ou indústria.

(Foto: COA)

Segundo Miranda, Mato Grosso não avançará no mercado internacional sem uma rota aérea regular. Ele informou que enviará à Assembleia Legislativa, nos próximos dias, um projeto de lei para subsidiar voos internacionais a partir de Cuiabá. A proposta prevê garantir ocupação mínima e compensar assentos vazios, modelo já adotado pelo Pará.

 

Miranda afirmou que o aeroporto de Cuiabá passou a funcionar com internacionalização permanente e que o governo negocia com companhias aéreas e a concessionária do terminal. “Temos muita beleza pronta, mas ainda falta logística”, disse.

Integração é a chave

Durante o encontro, operadores e empresários destacaram que congressistas e turistas internacionais que chegam a Cuiabá raramente estendem a viagem para Chapada ou Pantanal, algo visto como desperdício em um estado com três biomas e dois parques nacionais. Há consenso de que falta material estruturado para esse tipo de visitante, um problema que o Plano Brasis tenta enfrentar.

Outro ponto recorrente é a necessidade de presença coordenada em feiras internacionais e de estimular convenções e congressos globais no estado. Mesmo com a estrutura do Centro de Eventos do Pantanal, Mato Grosso tem registro inexpressivo na ICCA, o principal ranking mundial do setor.

O diretor técnico do Sebrae-MT, André Schelini, pontuou que experiências indígenas, observação de aves, gastronomia regional e produtos de base comunitária vêm ganhando maturidade, mas que a venda internacional exige padronização, narrativas claras e cooperação permanente com Embratur e Sedec.

O Plano Brasis recomenda, por exemplo, trabalhar Mato Grosso em mercados essenciais como Alemanha, Espanha e Reino Unido, onde o Pantanal já é buscado por viajantes, mas nem sempre aparece com oferta comercial consistente. Também orienta ações pull (voltadas ao consumidor final) e push (voltadas a operadores), campanhas específicas e capacitações orientadas por dados.

Compartilhe:

Matérias Relacionadas