
O Instituto Nacional de Pesquisa do Pantanal (INPP) lançou nesta segunda-feira (02), em Cuiabá, a Agenda de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Pantanal, documento que pretende orientar pesquisas, investimentos e políticas públicas voltadas à maior área úmida contínua do planeta até 2030. O evento marcou também as celebrações do Dia Mundial das Áreas Úmidas, cujo tema em 2026 destaca a relação entre esses territórios e os conhecimentos tradicionais.
Vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o INPP apresentou a agenda como um instrumento estratégico para articular governo, academia, setor produtivo e sociedade civil em torno da conservação da biodiversidade e do desenvolvimento socioeconômico do bioma. A proposta foi construída ao longo de cerca de um ano, com participação de pesquisadores, gestores públicos e representantes de organizações sociais que atuam no Pantanal.
Durante a cerimônia, o diretor do INPP, Leandro Denis Batirola, afirmou que o documento não se limita à conservação ambiental e incorpora também a dimensão social do bioma. Segundo ele, decisões tomadas fora dos limites geográficos do Pantanal, como o uso do solo no entorno, impactam diretamente a dinâmica das áreas úmidas. “Cuidar do Pantanal envolve pensar também no Cerrado, na agricultura e no desenvolvimento urbano ao redor”, disse.
A agenda parte de dois eixos centrais: preservação da biodiversidade e desenvolvimento regional sustentável. O objetivo é transformar conhecimento científico em subsídios concretos para políticas públicas, com base em dados confiáveis, monitoramento contínuo e análise de cenários futuros, especialmente diante do aumento de eventos extremos como secas e incêndios.

A coordenadora de pesquisa do INPP entre 2022 e 2025, Marinêz Isaac Marques, responsável por apresentar o histórico do documento, destacou que o instituto é uma das unidades de pesquisa mais jovens do MCTI, com estrutura efetivamente instalada apenas a partir de 2022. Segundo ela, a agenda e o Plano de Desenvolvimento da Unidade (PDU) foram os primeiros passos para dar identidade e direcionamento ao instituto. “Era preciso definir missão, visão e prioridades antes de ampliar as ações”, afirmou.
O documento adota o modelo da “hélice quádrupla” de inovação, que prevê a interação entre academia, governo, setor produtivo e sociedade civil. Ao longo do processo, foram mapeados cerca de 400 atores estratégicos que atuam no Pantanal, incluindo universidades, órgãos públicos, empresas e organizações sociais. A ideia é usar essa rede para fortalecer a pesquisa e a gestão integrada do bioma.
Representantes de universidades federais e estaduais, do Instituto Federal de Mato Grosso, do governo estadual e do MCTI participaram do lançamento. Para a reitora da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), Vera Maquêa, o caráter coletivo da agenda é um dos seus principais pontos. “O documento é ambicioso, mas necessário. Sem articulação entre os atores, ele não sai do papel”, disse.
O diretor do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Anderson Gomes, órgão vinculado ao MCTI, ressaltou que o desafio agora é transformar o planejamento em ações concretas. “Se ficar no papel, não serve. Estratégias precisam ser ambiciosas, mesmo que não se cumpra tudo”, afirmou.
A Agenda de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Pantanal está disponível ao público no site do INPP e deve servir de referência para projetos e políticas voltados não apenas ao Pantanal, mas também a outras áreas úmidas do país. Confira neste link.

