Poxoréu e o garimpo da memória

Jornalista conta como é caminhar pela Trilha do Garimpeiro, percurso que mistura mata fechada e vestígios do garimpo no interior de Mato Grosso

Município de Poxoréu ao fundo (Foto: Dani Danchura / Montagem: Rede Sucuri)

Poxoréu tem muita coisa boa pra fazer e conhecer. Em 27 anos visitando a cidade, foi a vez de conhecer a Trilha do Garimpeiro, margeando o Rio Poxoréu, aos pés de alguns morros, no meio da mata fechada. Muitas pedras, mina d’água, subidas íngremes, muita umidade e muita história para contar.

Apesar de fazer parte da história da cidade e da infância de muitos moradores, a trilha ganhou visibilidade com as excursões realizadas pelos grupos de igrejas e de equipes de corrida da região.

A trilha começa perto da PCH José Fragelli, mais conhecida como Barragem do Rio Poxoréu, e termina na estrada de acesso ao Morro do Mano, voltando pela Vila Santa Terezinha, com ruas calçadas com paralelepípedos, até a rua Maranhão, local onde tudo teve início.

Antes de começar a trilha, é preciso olhar para a esquerda e apreciar a vazão d’água da barragem. Feito isso, é a vez de atravessar o Córrego Bororo, que deságua no Rio Poxoréu, e iniciar a caminhada com uma subida íngreme de tirar o fôlego.

Logo no começo é possível identificar os canais feitos a mão pelos garimpeiros, os chamados regos, por onde descia a água para ajudar na lavagem do cascalho. Parte da trilha é realizada por esse “caminho” deixado pelos garimpeiros, que ainda aguçam a curiosidade dos turistas e locais. Olhando ao redor, é possível identificar outros regos usados no garimpo.

A trilha segue margeando o Rio Poxoréu por dentro da mata ciliar fechada, com traços de cerrado, com muita umidade e algumas minas d’água e uma bica de água mineral, própria para refrescar a garganta e o espírito.

O Rio Poxoréu, por sua vez, oferece suas águas para a prática de esportes radicais como caiaque, rafting e boiacross, com suas corredeiras rápidas e caudalosas.

Haja perna e fôlego para contornar os morros e vencer as subidas escavadas pelas águas das chuvas, com as piçarras escorregadias e pedras soltas.

O alívio vem quando se chega na estrada de chão, aquela que virando pra esquerda vai pro Morro do Mano, e virando a direita, vai para a Vila Santa Terezinha. Hora de beber água, enxugar o suor e seguir em frente.

A chegada ao ponto de partida ainda passa por outro ponto histórico de Poxoréu, a Rua Bahia, e retorna a Rua Maranhão, região que teve suas casas restauradas e pintadas dando nova vida ao local.

Ainda sobre a trilha, nem tudo ficou na história, no passado. Percorrendo o caminho se vê que garimpeiros, apesar de poucos, ainda utilizam o local em busca do tão sonhado sonho da pedra preciosa.

Vale muito a pena a experiência.

* Esta publicação acontece em formato de Jornalismo Colaborativo. Uma parceria entre o PNB Online e a Rede Sucuri.

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