
A recuperação de áreas degradadas, o combate ao desmatamento, a regularização ambiental e a proteção do Pantanal estão entre os temas abordados pelos candidatos ao Senado por Mato Grosso. Levantamento realizado pela Rede Sucuri mostra que a relação entre produção agropecuária e preservação atravessa as propostas e os posicionamentos das candidaturas, com diferentes abordagens que incluem incentivos à produção sustentável, segurança jurídica no campo, fiscalização ambiental e adaptação às mudanças climáticas.
No próximo domingo (4), os mato-grossenses vão às urnas para fazer seis escolhas. Entre elas estão dois senadores, que irão representar Mato Grosso no Senado Federal, em Brasília, pelos próximos oito anos. Entre os cargos eletivos em disputa neste ano, o mandato de senador é o mais longo.
A Rede Sucuri procurou todas as dez candidaturas e buscou posicionamentos públicos sobre meio ambiente ou temas relacionados. O levantamento reúne os oito candidatos que responderam aos questionamentos ou para os quais foram localizadas propostas e manifestações sobre a temática. Até o fechamento da matéria, não foram encontradas informações suficientes sobre o assunto nas candidaturas de Professor Nelson Ferreira (Agir) e Beny Godoy (Agir).
Antônio Galvan

Antônio Galvan (Avante) não respondeu às tentativas de contato da reportagem. Em posicionamentos reunidos durante a apuração, o candidato defende a valorização dos produtores rurais como forma de fortalecer a atividade agropecuária e ampliar as oportunidades no comércio exterior. Segundo ele, o setor tem papel na segurança alimentar e na economia, tanto pela produção destinada ao mercado interno quanto pelas exportações.
Galvan também aborda o uso da terra ao tratar do marco temporal para a demarcação de territórios indígenas. Em debate realizado em setembro, o candidato criticou a possibilidade de ampliação de terras indígenas e argumentou que o aproveitamento dessas áreas, dentro da legalidade, poderia contribuir para enfrentar a insegurança alimentar nas comunidades.
O candidato afirma ainda defender a proteção dos povos indígenas e o direito de uso da terra. A discussão envolve a relação entre atividades econômicas, direitos territoriais e as garantias previstas na Constituição Federal.
Carlos Fávaro

Em entrevista à Rede Sucuri, Carlos Fávaro (PSD) destacou como principal proposta na área ambiental a ampliação do Programa Solo Vivo, lançado em Campo Verde em 2025, quando ocupava o cargo de ministro da Agricultura. A iniciativa oferece análise do solo, assistência técnica, insumos e tecnologia aos produtores da agricultura familiar. Segundo Fávaro, a proposta busca aumentar a produtividade sem a abertura de novas áreas. “Com terra mais fértil, ele consegue produzir mais, aumentar a renda e permanecer no campo sem precisar abrir novas áreas”, afirmou.
No Senado, o candidato diz que pretende transformar iniciativas desse tipo em políticas permanentes, com previsão no orçamento. “Quero ampliar o Solo Vivo para outros municípios e fortalecer a recuperação das pastagens degradadas, articulando o Governo Federal, os municípios, o setor produtivo, a Embrapa, os institutos federais e as universidades”, afirmou.
Fávaro também defende rigor no combate ao desmatamento ilegal e incentivos aos produtores que adotam práticas sustentáveis. Segundo ele, a intenção é estimular a recuperação do solo e o uso de tecnologias que permitam ampliar a produção nas áreas já abertas.
Sobre mudanças climáticas, o candidato relaciona a recuperação do solo e das pastagens à adaptação da produção agropecuária a períodos de seca e chuvas intensas. Segundo Fávaro, solos recuperados podem aumentar a retenção de água, reduzir a erosão e tornar as lavouras mais resistentes aos eventos extremos.
Coronel Darwin

Em entrevista à Rede Sucuri, o candidato Coronel Darwin (Democrata) apresentou seis propostas para conciliar a produção agropecuária e a preservação ambiental em Mato Grosso. Entre as medidas estão a rastreabilidade das cadeias produtivas da carne e da soja; um projeto de lei sobre o manejo integrado do fogo no Pantanal e no Cerrado; o pagamento por serviços ambientais nos três biomas presentes no estado; o incentivo à bioeconomia e às cadeias da sociobiodiversidade; a transição para uma agropecuária de baixo carbono; e medidas voltadas à segurança jurídica ambiental e ao Cadastro Ambiental Rural.
Segundo Darwin, a articulação com diferentes bancadas seria uma das estratégias para viabilizar as propostas no Senado. O candidato afirma que as medidas podem encontrar apoio tanto entre parlamentares ligados ao setor rural quanto entre aqueles que atuam na pauta ambiental.
Sobre mudanças climáticas e eventos extremos, Darwin defende que o estado combine monitoramento climático, adaptação da produção rural e respostas coordenadas a períodos de seca, incêndios e chuvas intensas. Entre as prioridades citadas estão a atualização dos mapas de risco por município e bacia hidrográfica, a revisão dos planos de contingência, o cadastramento da população nos sistemas de alerta da Defesa Civil, o reforço de brigadas e da fiscalização de queimadas e o ajuste dos calendários de plantio de acordo com o Zoneamento Agrícola de Risco Climático e as previsões climáticas.
Para o candidato, a preparação deve priorizar ações preventivas. “Para Mato Grosso, a melhor preparação seria transformar previsões climáticas em decisões antecipadas sobre plantio, água, manejo do solo, prevenção de incêndios, saúde e infraestrutura.”
Janaina Riva

Janaina Riva (MDB) não respondeu às tentativas de contato da reportagem. Entre as posições públicas reunidas durante a apuração, a candidata defende a segurança jurídica no campo e a aplicação da legislação federal com base em critérios técnicos e regras claras para produtores que já desenvolvem atividades consolidadas e licenciadas.
No comércio exterior, Janaina defende que os países que comercializam com o Brasil adotem regras equivalentes às exigidas dos produtores brasileiros. Segundo a candidata, a medida busca garantir condições equilibradas de concorrência e assegurar que os produtos comercializados atendam às exigências legais e de fiscalização.
Na área ambiental, a candidata também defende o cumprimento do Código Florestal, que estabelece regras para a proteção da vegetação nativa nas propriedades rurais, incluindo áreas de preservação permanente e reservas legais.
Margareth Buzetti

Margareth Buzetti (PP) não respondeu às tentativas de contato da reportagem. Durante a campanha de 2026, a candidata falou sobre licenciamento ambiental ao criticar a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e o Governo Federal pelos entraves para uma solução definitiva para o Portão do Inferno, na MT-251. Buzetti defendeu a realização de estudos técnicos e afirmou que a fiscalização ambiental não deve se tornar um obstáculo ao desenvolvimento.
No Senado, Buzetti é autora do PL 4.812/2025, que recebeu parecer favorável na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária em 2026 e institui uma Política Nacional de Qualificação, Tecnologia, Inovação e Sustentabilidade no Trabalho Rural. Entre as medidas previstas estão o uso de novas tecnologias, inovação e práticas sustentáveis nas atividades rurais. O projeto continua em tramitação.
Em fevereiro de 2026, a candidata também apresentou um requerimento para a criação de uma comissão externa destinada a avaliar os efeitos ambientais, sanitários, econômicos e logísticos das ocupações indígenas recentes no Terminal Portuário da Cargill, em Santarém (PA), e em áreas do complexo portuário e hidroviário do Rio Tapajós, além dos impactos sobre o escoamento da produção e as obras de dragagem. O requerimento foi aprovado pelo Senado.
Nas entrevistas e declarações de campanha consultadas pela reportagem, não foram encontradas propostas específicas de Buzetti sobre mudanças climáticas ou medidas para preparar Mato Grosso para eventos climáticos extremos.
Mauro Mendes

Mauro Mendes (União Brasil) não respondeu às tentativas de contato da reportagem. Em declarações públicas reunidas durante a apuração, o candidato defende que a produção agropecuária pode avançar junto à preservação ambiental. Mendes afirma que o Brasil preserva cerca de 60% de seu território e cita Mato Grosso como exemplo dessa relação entre produção e conservação. O candidato também apoia a Lei de Reciprocidade e defende critérios equivalentes nas relações comerciais internacionais para os produtos brasileiros.
Ao tratar da pauta ambiental, Mendes também cita medidas desenvolvidas durante sua gestão no Governo de Mato Grosso, como a regularização ambiental rural, a redução do desmatamento, a produção de baixo carbono e a gestão dos recursos hídricos. Entre as iniciativas está o programa Carbono Neutro MT, instituído em 2021 com a meta de alcançar a neutralidade das emissões de gases de efeito estufa até 2035.
O candidato também defende a estadualização da gestão do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, medida discutida no PL 3.649/2023, ainda em tramitação no Senado. Segundo Mendes, a mudança permitiria ampliar os investimentos em infraestrutura e turismo na região, mantendo a conservação da unidade e criando novas alternativas econômicas para a Baixada Cuiabana.
Pedro Taques

Em entrevista à Rede Sucuri, Pedro Taques (PSB) defendeu o aumento da produção agropecuária sem a necessidade de abertura de novas áreas. Segundo ele, a produção pode crescer por meio do aproveitamento de pastagens de baixa produtividade. “A produção pode aumentar dentro do que se denomina de pastagem de baixa produtividade. Aí dá pra aumentar a produção sem desmatar um pé de pau, é o que eu defendo nesse primeiro momento”, afirmou.
Taques também cita o Programa Produzir, Conservar e Incluir (PCI), criado durante sua gestão como governador, como uma iniciativa voltada à conciliação entre produção e preservação. O candidato afirma que Mato Grosso protege 62% de seu território. Dados do MapBiomas apontam que, em 2025, 61% da área do estado ainda era coberta por vegetação nativa.
Sobre o Pantanal, Taques defende investimentos em saneamento básico para evitar que esgoto sem tratamento contamine o Rio Cuiabá, o Rio São Lourenço e chegue ao bioma. Segundo o candidato, a proposta é levar saneamento aos 14 municípios da Baixada Cuiabana por meio de um programa denominado PID Pantanal.
O candidato também defende penas mais altas para quem comete crimes ambientais e cita o contrabando de mercúrio como exemplo. “Eu defendo que aquele que viola leis ambientais tem que ser responsabilizado”, afirmou. Taques relaciona o uso e o contrabando da substância à contaminação dos recursos hídricos e aos impactos sobre populações tradicionais e ribeirinhas.
José Medeiros

José Medeiros (PL) não respondeu às tentativas de contato da reportagem. Em 2026, o candidato, enquanto exercia o cargo de deputado federal, apresentou quatro projetos de lei que tratam de meio ambiente. Entre eles está o PL 2.973/2026, que cria uma Política Nacional de Segurança Ambiental e Produtiva do Pantanal, tratando a pecuária como instrumento de conservação e prevenção de incêndios. O texto prevê a rastreabilidade do rebanho, o monitoramento remoto, brigadas rurais e incentivos ao manejo das pastagens.
O candidato também apresentou o PL 2.979/2026, conhecido como CAR Expresso, voltado à simplificação da regularização ambiental e fundiária. A proposta pretende reduzir a burocracia na validação do Cadastro Ambiental Rural (CAR), acelerar a regularização de imóveis rurais e integrar bases de dados ambientais, fundiárias e fiscais.
Outra proposta é o PL 3.132/2026, que institui a Política Nacional dos Minerais Estratégicos para Fertilizantes. O projeto estabelece procedimentos especiais para o licenciamento ambiental de empreendimentos voltados à pesquisa, lavra, beneficiamento e processamento de minerais utilizados na produção de fertilizantes. O texto também prevê mecanismos para ampliar a segurança do abastecimento nacional desses insumos.
Na área de energia, Medeiros é autor do PL 3.149/2026, que institui o Estatuto de Proteção ao Consumidor de Energia Solar. A proposta prevê garantias de segurança jurídica a consumidores e produtores rurais que utilizam geração distribuída, além de limitar a criação de novos custos e proibir cobranças retroativas sobre a micro e minigeração de energia solar fotovoltaica.
O candidato também apresentou uma indicação para a liberação de recursos destinados à aquisição de kits de geração de energia fotovoltaica para assentados de Mato Grosso, com foco no fortalecimento da agricultura familiar.
Reportagem produzida no âmbito do Estágio Obrigatório II do curso de Jornalismo da Unemat, sob supervisão da jornalista Safira Campos.

