Descubra MT: cada visitante deixa apenas pegadas, e cada governo, um esqueleto de concreto

Parabéns, Mato Grosso do Sul! Neste ano completamos 49 anos de uma separação que, claramente, deu certo… para vocês! Enquanto nossos vizinhos viraram PhD em Gestão Turística, nós aqui no Mato Grosso nos tornamos especialistas em improvisação criativa, porque ter sinalização clara se a gente pode deixar o turista se aventurar em estradas com piche de farinha?

Ah, o talento para o turismo está no sangue, sim! Só esquecemos de avisar que o sangue, aqui, circula no ritmo da burocracia e do “vai dar tudo certo, confia”. Quer emoção? Oferecemos roteiros surpresa: um dia é Pantanal, no outro é um museu fechado “para reformas” desde 2003. E quem precisa de guias capacitados quando temos “guias” piratas estrangeiros sem visto de trabalho ou credencial de guia emitida pela Embratur?

Enquanto o Sul se organiza, nós mantemos a tradição do fazemos porque sabemos de cor (ou porque não sobrou outra opção). Turista gosta de autenticidade, não é mesmo? E nada mais autêntico que um “não tem problema, amanhã a gente resolve”.

(Ironias à parte, amamos nosso estado, mas dá pra melhorar, né? )

Nota: Escrito com amor e uma pitada (grande) de sarcasmo. Aceitamos dicas e mapas.

Ah, o nosso Ex – “Imperador” do Mato Grosso! Que visionário! Enquanto o mundo busca sustentabilidade, ele encontrou uma forma genial de impulsionar o turismo: transformou o Pantanal numa atração de realidade aumentada, basta fechar os olhos e imaginar as belezas naturais, escondidas atrás da cortina de fumaça recorde! Quer uma experiência mais imersiva que respirar cinzas?

Na área ambiental, sua gestão foi uma aula de “desenvolvimento disruptivo”. Pra quê fiscalizar desmatamento quando se pode superar metas históricas de queimadas? É a “bioeconomia” do século XXI: virar fumaça antes que os outros descubram o potencial. E os parques? Ora, são “reservas estratégicas”, de discursos futuros sobre preservação. Muito eficiente!

E a segurança pública? Aqui a inovação é absoluta. Implementou o revolucionário programa “Turismo Radical”: onde você vive a emoção de um assalto à luz do dia ou a adrenalina de uma viagem sem sinalização, liderança em feminicídio no Brasil ( sendo um estado muito seguro para as mulheres viajarem sozinhas) tudo isso com o charme do asfalto esfarelado da MT 170, antiga BR 174? É o turismo de experiência autêntica, convivendo com a realidade local!

Parabéns, Vossa Majestade! Se governo de fachada fosse arte, o de Vossa Alteza seria o Picasso da mediocridade administrativa. Que obra!

Enquanto o Parque Novo Mato Grosso se consolida como um eloquente estudo de caso em metamorfose orçamentária,de R$ 150 milhões a R$ 1,5 bilhão, provando que, no estado, a inflação de obras públicas segue fórmula própria, a política estadual de turismo e diálogo social exibe coerência impecável: afinal, só se pode chamar de “diálogo” a prática refinada de ignorar comunidades indígenas enquanto se autoriza o garimpo em terras constitucionalmente protegidas, atendendo com sensibilidade ao ancestral apelo desenvolvimentista. Paralelamente, o ecoturismo de pequeno porte experimenta um “fortalecimento” singular, daquele tipo que dispensa mecanismos concretos de fomento e se materializa em acesso a linhas de crédito tão tangíveis quanto os R$ 5 milhões por CNPJ anunciados pelo secretário adjunto cargo cuja função, aliás, parece residir em uma dimensão exclusivamente metafísica, tal qual o “caviar”: todos já ouviram falar, ninguém nunca viu! Mato Grosso reafirma, assim, sua vocação de vanguarda: a terra do “será” no turismo, onde o futuro chega sempre acompanhado de um novo aditivo contratual.

O drama é que Mato Grosso não sofre apenas de crise política. Sofre de pobreza intelectual das “elites” dirigentes. Falta estadista! Sobra gerente de fazenda! Falta quem pense educação, saúde e dignidade humana. Sobra quem saiba calcular produção por hectare. O estado ficou rico antes de ficar civilizado. Eis a tragédia mortal! Saí o Ex-“Imperador” entra o seu herdeiro político o “Duque”.

O progresso mato-grossense passa de Dodge Ram pela BR, enquanto o SUS espera ambulância quebrada no acostamento. No fundo, o Mato Grosso virou um gigante fazendão governado por amebas politiqueiras!

Saudações Ambientais,

Aynore Soares Caldas é pantaneiro, agrônomo, mestre em manejo de vida selvagem, técnico em turismo, guia de turismo, bacharel em direito e empresário do ecoturismo em Mato Grosso.

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