Professora transforma área degradada em bosque escolar com projeto de reflorestamento

Projeto desenvolvido pela professora de Geografia Ivanete Gonçalves de Melo Ribeiro, de Tangará da Serra, recuperou uma área de pastagem degradada na antiga Escola Agrícola Ulisses Guimarães e mobilizou alunos, professores e moradores da comunidade.

(Foto: Laís França / Rede Sucuri)

A professora aposentada Ivanete Gonçalves de Melo Ribeiro, 73, construiu uma trajetória marcada por projetos voltados à educação ambiental em Tangará da Serra. Licenciada em Geografia e professora efetiva da rede municipal por décadas, ela sempre buscou aproximar os alunos das questões ambientais por meio de atividades práticas.

Em 2007, quando lecionava na antiga Escola Agrícola Ulisses Guimarães, na zona rural do município, Ivanete idealizou um projeto de reflorestamento para recuperar uma área de pastagem degradada existente na unidade. A iniciativa mobilizou alunos, professores, gestores, pais e moradores da região, resultando na criação de um bosque escolar.

À Rede Sucuri, Ivanete relembra como surgiu o projeto e os resultados obtidos a partir da recuperação da área.

Rede Sucuri: Como começaram os projetos de cuidado com o meio ambiente local?

Ivanete Gonçalves de Melo Ribeiro: Como professora de Geografia, sempre trabalhei temas como clima, temperatura e meio ambiente. Na escola agrícola, isso era ainda mais propício porque existia uma área degradada. Então, tínhamos todos os elementos para desenvolver esse trabalho junto aos alunos.

Rede Sucuri: Como era conciliar a disciplina de Geografia com a preservação ambiental?

Ivanete Gonçalves de Melo Ribeiro: Na escola agrícola, íamos direto para a prática. Estudávamos a teoria e observávamos o que estava acontecendo com a seca, o calor e o clima. Também analisávamos a situação dos animais, do Brasil e do mundo. Na prática, coletávamos sementes para plantar árvores e produzíamos pluviômetros com garrafas PET. Cada aluno media a quantidade de chuva em sua casa. Com ações como essas, os estudantes se interessavam cada vez mais pelo meio ambiente porque aprendiam além dos livros.

(Foto: Arquivo Pessoal)

Rede Sucuri: Os projetos envolviam apenas os alunos ou também a comunidade?

Ivanete Gonçalves de Melo Ribeiro: Envolviam todos. Participavam professores, gestores, alunos das séries iniciais ao ensino médio, pais e moradores da região. Houve envolvimento desde a coleta das sementes até o plantio. No dia do reflorestamento da área degradada, participaram cerca de 200 pessoas entre alunos, professores e familiares.

Rede Sucuri: Houve incentivo da gestão municipal para a realização dos projetos?

Ivanete Gonçalves de Melo Ribeiro: Não dependíamos financeiramente da gestão municipal porque conseguimos quase tudo por meio de doações da comunidade. As sementes, os saquinhos para plantio e outros materiais vieram desse esforço coletivo. Precisamos do apoio da prefeitura apenas para instalar placas de identificação nas árvores, e recebemos retorno positivo.

Rede Sucuri: Onde foi realizado o projeto e quantas árvores foram plantadas?

Ivanete Gonçalves de Melo Ribeiro: O reflorestamento foi realizado em uma área degradada que era utilizada como pastagem na antiga Escola Agrícola Ulisses Guimarães, na zona rural. O objetivo era transformar o espaço em um bosque para uso dos alunos. Foram plantadas cerca de 1.800 árvores com a participação de estudantes, pais, professores e moradores.

Rede Sucuri: Você percebeu mudanças no comportamento dos alunos?

Ivanete Gonçalves de Melo Ribeiro: Sim, principalmente na relação deles com os professores, entre si e com o próprio espaço onde viviam. A prática faz com que eles observem mais o que está acontecendo ao redor. Quando trabalhamos apenas a teoria, muitos temas parecem distantes. A vivência local ajuda os alunos a compreenderem melhor essas questões.

Rede Sucuri: Qual foi o principal resultado dos projetos que desenvolveu ao longo da carreira?

Ivanete Gonçalves de Melo Ribeiro: O principal objetivo era promover o aprendizado dos alunos, e isso foi alcançado. Quando encontro ex-alunos, muitos lembram das atividades e dizem o quanto aprenderam. Também é gratificante saber que aquela área foi recuperada e deixou de ser degradada. Como dizia Cora Coralina: “Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”.

Matéria produzida no âmbito do Estágio Obrigatório I do curso de Jornalismo da Unemat, sob supervisão da jornalista Safira Campos.

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