
A marca mato-grossense de cosméticos naturais Natureza Raiz, que utiliza ativos da Amazônia, do Cerrado e do Pantanal em suas formulações, está ampliando sua presença fora do Brasil e mira o mercado internacional como próximo passo de expansão. Criada a partir de uma pesquisa universitária e baseada em ingredientes da bioeconomia, a empresa foi uma das cinco selecionadas no estado para o programa Inova Amazônia Global Edition, voltado à internacionalização de negócios sustentáveis.

Fundada pela engenheira química Cecília Viveiros, formada pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), a Natureza Raiz desenvolve desodorantes, shampoos, condicionadores e hidratantes a partir de manteigas, óleos e extratos vegetais, como cupuaçu e manga. Os insumos são adquiridos de cooperativas e cadeias produtivas ligadas à floresta, com rastreabilidade e certificações internacionais.
A empresa nasceu de uma experiência pessoal. Durante a graduação, Cecília enfrentou sudorese excessiva e passou a pesquisar alternativas naturais aos desodorantes convencionais, que frequentemente contêm sais de alumínio, substâncias associadas a impactos hormonais.
Ela decidiu formular seu próprio produto com matérias-primas vegetais e transformou a pesquisa em seu trabalho de conclusão de curso. O retorno positivo da banca e dos usuários incentivou a criação do negócio. “Começou como uma necessidade pessoal, mas quando vi os resultados e os benefícios dessas matérias-primas, percebi o potencial de transformar isso em uma marca”, contou em entrevista à Rede Sucuri.
Quatro anos depois, a empresa busca consolidar sua presença internacional, apoiada em um mercado crescente de produtos associados à sustentabilidade e à bioeconomia.
Segundo a fundadora, um dos principais desafios é equilibrar custos e competitividade. “É uma cadeia produtiva complexa, desde a origem até o produto final. Usamos matérias-primas certificadas e biodegradáveis, o que agrega valor, mas também exige um posicionamento claro para competir”, diz. Além disso, cada país possui legislações específicas para cosméticos, o que exige adaptações e certificações adicionais.

A estratégia de internacionalização já inclui participação em feiras e eventos no exterior. A marca esteve no Web Summit, em Lisboa, e em feiras na Bolívia e na China, além de rodadas de negócios no Paraguai e no Equador. Também participou da COP-30 em Belém, e iniciou vendas em plataformas como Mercado Livre e negocia a entrada na Amazon, além de estruturar uma filial em São Paulo para facilitar a logística.
Segundo Viveiros, os produtos despertam interesse por trazerem ativos pouco conhecidos fora do país. “São matérias-primas riquíssimas, com um trabalho diferenciado. Existe um mercado muito promissor, mas o mundo ainda conhece pouco o que está sendo desenvolvido aqui”, afirma.
A proposta da empresa se baseia na substituição de ingredientes sintéticos ou derivados do petróleo por alternativas vegetais. Em vez de óleo mineral, por exemplo, utiliza manteigas e óleos vegetais. Nos shampoos, emprega agentes de limpeza derivados do coco no lugar de substâncias como o lauril sulfato de sódio, comum em cosméticos convencionais.
Segundo a fundadora, além dos benefícios para a pele, a escolha dos insumos também reduz impactos ambientais. “A gente pensa não só no resultado para quem usa, mas também no impacto no meio ambiente. São ingredientes biodegradáveis, que não geram o mesmo acúmulo nocivo nos ecossistemas”, afirma.
A Natureza Raiz integra o setor da bioeconomia, que utiliza recursos naturais renováveis para produzir bens e serviços. Esse segmento tem sido apontado como uma alternativa de desenvolvimento econômico associado à conservação ambiental.
Inova Amazônia Global Edition
A empresa foi selecionada para o Inova Amazônia Global Edition, iniciativa do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). O programa oferece capacitação e conexão com mercados internacionais. Além da Natureza Raiz, outras quatro empresas de Mato Grosso foram selecionadas: Brasteca Agroflorestal, Conecta Saber, Origem Compostagem e Tugani.
O foco central do projeto é a bioeconomia. O gestor do Programa Inova Biomas, Rafael Mendes, reforça a importância desse movimento para a região. “A bioeconomia é o motor que permite manter a floresta em pé e, ao mesmo tempo, gerar riqueza e desenvolvimento social. O Inova Amazônia Global Edition atua como ponte para que essas inovações locais ganhem o mundo com competitividade e sustentabilidade”.
Para Viveiros, a participação em programas desse tipo ajuda a abrir portas e consolidar a expansão. “As conexões e a capacitação são fundamentais. Não é possível crescer sozinho. Participar dessas redes fortalece o trabalho e cria oportunidades reais de internacionalização”, afirma.


