Tubete biodegradável criado por estudantes da Unemat reduz adubo e ganha prêmio nacional

Equipe da Unemat desenvolve alternativa ao plástico e aplicativo que mede crédito de carbono; inovação rendeu 2º lugar no Desafio Liga Jovem

(Foto: Carlos Borges / Montagem: Rede Sucuri)

Um tubete feito de matéria orgânica, capaz de reter água por mais tempo, acelerar o crescimento de mudas e reduzir em até 80% o uso de adubo mineral. A solução, desenvolvida por alunos da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e orientada pela professora Paula Almeida, nasceu como tarefa de sala de aula, virou um projeto de inovação e agora começa a atrair atenção dentro e fora da universidade. Como resultado da inovação, o grupo comemorou nesta semana o 2º lugar no Desafio Liga Jovem, competição nacional do Sebrae.

A ideia surgiu durante a disciplina de Empreendedorismo, que reuniu estudantes de Agronomia e Administração. Segundo a professora, o ponto de partida foi um problema comum no campo: a dependência de bandejas plásticas, que geram resíduos e se desgastam rapidamente. Somado a isso, os alunos enxergaram a quantidade de matéria orgânica descartada sem aproveitamento.

“Queríamos criar uma alternativa biodegradável, sustentável e acessível para pequenos produtores”, disse Paula em entrevista à Rede Sucuri. “A bandeja plástica tem custo, vida útil limitada e impacto ambiental. Vimos que dava para transformar resíduos em um insumo de alto valor”. 

O tubete criado pela equipe Eco Plant é fabricado com matéria orgânica e carrega o que hoje é seu diferencial tecnológico: uma cápsula de hidrogel desenvolvida a partir do pseudocaule da bananeira. O material retém água e nutrientes por mais tempo, permitindo que as mudas suportem períodos de estresse hídrico, um cenário cada vez mais comum em razão das mudanças climáticas.

O resultado, segundo Paula, é um desenvolvimento mais rápido e mais robusto das plantas. A composição orgânica também libera nutrientes de forma gradual, gerando raízes mais fortes e reduzindo a necessidade de adubação mineral. “O impacto para pequenos e médios produtores pode ser significativo. A economia com adubo, sozinha, já mostra a força do projeto”, diz.

(Foto: Arquivo Pessoal)

A solução rendeu ao grupo composto pelos estudantes Matheus Costa (Agronomia), Eulália Oliveira (Administração) e Amanda Amorim (Agronomia) o 2º lugar na categoria Ensino Superior da 3ª edição do Desafio Liga Jovem, cuja final ocorreu em Belém (PA). É a segunda vez consecutiva que os estudantes garantem para Mato Grosso um prêmio na competição. 

“Ser reconhecido novamente, é muito gratificante. Demostra que temos potencial de transformar nossa realidade por meio do fomento à inovação com práticas sustentáveis. Representar meu amado Mato Grosso é sensacional, e que venham os próximos, pois a meta é conquistarmos o 1° lugar e posteriormente e transformar o projeto em uma startup”, celebrou Matheus ao receber a premiação.

Expansão do projeto

A partir de 2023, a equipe decidiu ir além do tubete. Inspirados na dificuldade de produtores para acessar o mercado de crédito de carbono, especialmente em sistemas como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, os estudantes criaram um aplicativo que quantifica o carbono fixado pelas plantas.

Segundo Paula, o gatilho veio da observação de ferramentas que já vinham sendo testadas na universidade e de iniciativas europeias de simplificação da mensuração. “O aplicativo funciona como intermediador. Ele usa a câmera do celular para medir o carbono e combina isso com dados inseridos pelo produtor. Depois, fazemos toda a parte jurídica e operacional da venda dos créditos. O agricultor só paga a taxa de intermediação”, afirma.

(Foto: Assessoria)

A equipe é formada por alunos de Agronomia e Administração. Para Paula, esse encontro de saberes foi um dos principais motores do projeto, e também um desafio. “Não sou da Agronomia. Precisei estudar muito, me aproximar de uma área que não é a minha. Eles também tiveram que transitar entre ciência, gestão e inovação. Quando cada um se dispõe a ensinar e aprender, o processo fica mais rico”, diz. “Foi uma experiência de crescimento para todos”.

Com o projeto mais amadurecido, a equipe planeja avançar na consolidação da fórmula, ampliar testes e desenhar os próximos passos para transformar o Eco Plant em startup, objetivo declarado pelos alunos.

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