
Sabe aquela sensação de chegar em um lugar lindo, que se diz “eco-tudo”, e a vila ao lado continua sem oportunidades básicas?! Enquanto outros estados brasileiros focam em planejamento estratégico, capacitação e colaboração com o setor privado, Mato Grosso nos presenteia com uma aula de como transformar incompetência administrativa em filosofia.
Aqui, as políticas públicas para o turismo e as ações socioambientais são uma celebração do imprevisível, uma coreografia onde a desorganização é elevada à categoria de arte. Falamos muito em árvores, lixo, mas e as pessoas? O viajante de hoje não quer mais ser um espectador! Ele quer saber: O meu dinheiro está ajudando essa família? Está fortalecendo essa cultura? O guia regional recebe o valor justo pelo seu trabalho, sendo que o pacote custou uma fortuna? Sustentabilidade sem impacto social real é só maquiagem da pior espécie. O turismo necessita ser organizado e planejado com as pessoas da comunidade (não apenas para os visitantes).
Destinos como Veneza, Lisboa, os moradores passaram a questionar o modelo de turismo atual. Os motivos variam; especulação imobiliária, alta no custo de vida e degeneração de espaços públicos. Alguns destinos brasileiros já sentem a pressão!
Embora por aqui os episódios de resistência ainda sejam raros, destinos como Jericoacoara – CE, Ilha Grande – RJ, Fernando de Noronha – PE, Chapada dos Guimarães -MT, o Parque Estadual Estadual Encontro das Águas e Estrada Transpantaneira no Pantanal norte – MT onde querem construir uma ponte de concreto sobre o Rio Lourenço, no final da MT- 060 no Porto Jofre, criando um corredor rodoviário na estrada parque que ligaria Mato Grosso a Mato Grosso do Sul pelo Pantanal. Esse projeto de uma ponte de concreto no Porto Jofre, deixou muitos empresários que trabalham com ecoturismo preocupados ( incluindo este que vos escreve) , associações de guias de turismo, pescadores, documentaristas, comunidades tradicionais, pantaneiros, povos indígenas,entidades ambientais e pesquisadores.
Na estrada parque Transpantaneira, os animais circulam livremente pela rodovia, permitindo que os turistas contemplem diversas espécies de animais silvestres, especialmente aves e répteis, esse turismo de contemplação atrai visitantes de vários países do mundo! Criar um corredor viário na Transpantaneira pode colocar a fauna em risco e afetar o equilíbrio socioambiental, trazendo prejuízo econômico e miséria para toda a comunidade mato-grossense que trabalha com turismo na região! O problema não é o turista e a melhoria da infraestrutura. É ausência de planejamento participativo! As comunidades quando são excluídas das decisões em seus territórios, acontecem problemas, como perda de identidade cultural e concentração de renda!
Quais os fundamentos técnicos indicam que a construção da ponte e a integração rodoviária iriam impulsionar o turismo de natureza no Pantanal de Mato Grosso, e de que forma a medida agregaria valor à experiência turística existente? Por isso a importância da escuta ativa!
No turismo, isso significa considerar e respeitar a perspectiva dos moradores, guias de turismo credenciados, empreendedores sérios e gestores locais antes de qualquer projeto ser desenhado. A inação de profissionais e empresários “coronéis do turismo”, de fato normaliza as irregularidades, mas a solução depende de uma combinação de pressão organizada, educação do público e cobrança institucional!
Enquanto o estado de Mato Grosso não priorizar o turismo como atividade econômica estratégica, investindo em estrutura sustentável, qualificação profissional e fiscalização dos seus ativos ambientais, o cenário tende a persistir. Contudo, a mobilização da sociedade civil e do setor privado é um catalisador essencial para mudanças concretas.
A omissão, só beneficia quem lucra com a informalidade e desvaloriza o trabalho qualificado!
Saudações Ambientais,
Aynore Soares Caldas é técnico em Turismo, guia de turismo, empresário do ecoturismo em Mato Grosso, agrônomo e mestre em Manejo de Vida Silvestre e bacharel em Direito.

