Mulheres ocupam palco do Pint of Science em Cuiabá e discutem espaço na tecnologia

Com apoio da Rede Sucuri, evento reúne pesquisadoras, destaca desafios de permanência na carreira científica e aposta na inspiração de meninas para reduzir desigualdades.

(Foto: Rede Sucuri)

Cuiabá recebeu, na noite de quarta-feira (20), um encontro dedicado a discutir a presença feminina na ciência e na tecnologia. No terceiro dia do Pint of Science na capital mato-grossense, o tema “Do Invisível ao Protagonismo: Mulheres Transformando a Ciência” reuniu pesquisadoras para debater trajetórias, desafios e avanços em diferentes áreas.

Participaram do evento as professoras e doutoras Solange Fagane, da Universidade Franciscana (UFN), e Gracyeli Guarienti, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). A mediação foi feita pela professora Thaís Kempner, também da UFMT. 

A proposta do encontro foi aproximar o público da produção científica em um ambiente informal, ao mesmo tempo em que discutiu a desigualdade de gênero em áreas historicamente associadas aos homens.

Realizado pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso (Seciteci-MT), em parceria com a Pró-Reitoria de Pesquisa da Universidade Federal de Mato Grosso (Propesq/UFMT), Parque Tecnológico Mato Grosso, Rede Inova MT, Aginov/Unemat, Unemat e Rede Sucuri, o evento contou com patrocínio da Cervejaria Louvada, Sicredi, Sindicerv e Abracerva.

Para Kempner, o formato do evento contribui para quebrar estereótipos. “Quando a gente pensa em tecnologia, normalmente associa ao mundo masculino. Celebrar isso em um ambiente diferente, como um bar, e com mulheres falando sobre o tema, reforça a ideia de que esse espaço também é delas”, afirmou.

Segundo a mediadora, o principal objetivo da noite foi inspirar. “Mais do que falar de tecnologia, a gente quer mostrar mulheres inspiradoras e reforçar que elas podem estar onde quiserem”, disse. Ela destacou ainda a importância de alcançar meninas em fase escolar, antes da entrada na universidade.

A professora Gracyeli Guarienti ressaltou que a representatividade é central para ampliar a participação feminina. “Eventos como esse são importantes para mostrar que as mulheres precisam ocupar esses espaços e ter visibilidade”, afirmou.

Gracyeli Guarienti, professora da UFMT e uma das palestrantes da noite (Imagem: Rede Sucuri)

Diretora da Faculdade de Ciência e Tecnologia da UFMT, Guarienti relatou os desafios enfrentados ao longo da carreira. “Na graduação em ciência da computação, éramos cinco mulheres em uma turma com 40 homens. Só eu concluí o curso”, disse. Para ela, a presença feminina em cargos de liderança ainda é limitada, o que impacta a diversidade de decisões dentro das instituições.

Guarienti também coordena o projeto Meninas Tecnológicas, que busca aproximar alunas do ensino médio das áreas de tecnologia. “Queremos que elas se vejam nesses espaços e entendam que há diferentes caminhos possíveis”, afirmou.

A professora Solange Fagane defendeu que a ciência depende da diversidade para avançar. Ela apresentou um projeto na área de nanociência que reúne pesquisadores de diferentes campos, como física, química, biologia, engenharia e saúde.

Solange Fagane, uma das professoras palestrantes da noite (Foto: Rede Sucuri)

Apesar do aumento da presença feminina nas universidades, Fagane chamou atenção para a dificuldade de permanência e ascensão na carreira. “A entrada já é mais equilibrada, mas isso não se reflete nos cargos de liderança. Em níveis mais altos, a participação feminina cai para menos de 10%”, afirmou.

Para ela, além de incentivar o ingresso, é necessário criar condições para que as mulheres avancem. “Elas não podem estar sozinhas. É preciso um sistema que apoie, inclusive em questões como maternidade e estereótipos associados ao cuidado”, disse.

Representantes do setor público também participaram da programação. O ex-secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação Allan Kardec destacou iniciativas de incentivo à ciência no estado, como o Prêmio MT Ciência, que distribui recursos diretamente a pesquisadores. “Estamos valorizando quem faz ciência, desde o ensino médio até pesquisadores consolidados”, afirmou.

Segundo ele, ações itinerantes buscam ampliar o acesso à ciência no interior de Mato Grosso. “Eventos científicos precisam ser tratados como relevantes para a comunidade. Estamos só começando”, disse.

Diretor do Parque Tecnológico de Mato Grosso, Rafael Bastos (Foto: Rede Sucuri)

Diretor do Parque Tecnológico de Mato Grosso, Rafael Bastos também defendeu a valorização da presença feminina no ecossistema de inovação. Ele afirmou que, em sua equipe, a maioria é composta por mulheres. “São profissionais competentes e fundamentais para o desenvolvimento de pesquisa e tecnologia”, disse.

Para ele, iniciativas como o Pint of Science contribuem para fortalecer o ambiente científico. “Valorizar eventos como esse ajuda a avançar na inovação e a usar a tecnologia para melhorar a vida das pessoas”, afirmou.

 

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